Lula × Bolsonarodados públicos, sem placar
Método, versão 0.1 Metodologia

Metodologia

Como os números deste site são escolhidos, calculados e conferidos. Cada regra tem um documento técnico por trás, e todos estão no fim desta página.

Em resumo

O site reúne dados públicos e documentos oficiais sobre os governos Lula e Bolsonaro, para que você tire as próprias conclusões. Os governos de FHC (só o ano de 2002), Dilma e Temer aparecem como contexto.

Nenhum site é totalmente neutro: a escolha do indicador, do período e da comparação já pesa no resultado. Por isso, em vez de prometer neutralidade, o site promete três coisas que você pode conferir.

SimetriaA mesma régua para os dois governos, em todos os temas: mesma fonte, mesmo período, mesma conta.
TransparênciaToda escolha de método fica escrita, com o motivo. Quando uma regra muda, a mudança também fica registrada.
RastreabilidadeTodo número leva à fonte original. Os arquivos baixados são guardados sem edição.

O site não dá nota nem diz quem governou melhor. Para isso seria preciso decidir quanto vale cada tema, e essa decisão é sua.

Quais governos e quais anos

As séries vão de 2002 a 2026, sem cortes. Cada mandato aparece separado: juntar os três mandatos de Lula numa média misturaria momentos do mundo muito diferentes.

  • Lula 1 e Lula 2 2003–2010
  • Bolsonaro 2019–2022
  • Lula 3 2023–2026, em curso
  • Contexto FHC em 2002; Dilma e Temer, 2011–2018
  • Por que 2002 entra: para mostrar o que Lula 1 herdou. Cada governo herda o anterior: Bolsonaro recebeu o país depois da recessão de 2015–16 e com o teto de gastos; Lula 3, depois da pandemia e das mudanças fiscais de 2022.
  • De quem é cada ano: o ano pertence a quem governava nele (todos os mandatos comparados começam em 1º de janeiro). Num dado mensal, o mês é de quem governava no último dia do mês. O ano de 2016, dividido entre Dilma e Temer, aparece como transição.
  • Mandato em curso: Lula 3 usa o último dado disponível e leva o rótulo "parcial".
  • As cores: vermelho para Lula, azul para Bolsonaro e cinza para os demais. A cor só diz quem governava, nunca se o resultado foi bom ou ruim, e as barras seguem a ordem do tempo, nunca a do valor.

A mesma régua para todos

Comparar valores de épocas diferentes exige três cuidados, aplicados do mesmo jeito a todos os governos:

  • Inflação descontada. Valores em reais são corrigidos pelo IPCA e mostrados a preços de 2025. Assim, R$ 100 de 2005 e R$ 100 de 2025 não parecem a mesma coisa. O crescimento do PIB é a exceção: ele usa o índice de volume do próprio IBGE.
  • Por pessoa, quando o tamanho da população muda a leitura.
  • Em proporção do PIB, para dívida, gastos e receitas do governo.

Como se resume um mandato

Cada indicador mostra três números por mandato:

Esquema: o herdou é o valor do ano antes da posse; o entregou, o do último ano do mandato; a média resume os quatro anos. Mandato Média Herdou Entregou ano antes 1º ano2º3º4º ano
Herdouo valor do último ano (ou de dezembro) antes da posse.
Entregouo valor do último ano do mandato. Para Lula 3, o último dado disponível, marcado "parcial".
Médiao resumo dos anos do mandato, com a conta que serve para cada tipo de dado.
  • Taxas de crescimento (PIB, inflação): média composta, a taxa que, repetida todo ano, daria o mesmo resultado no fim do mandato.
  • Níveis (juros, câmbio, resultado das contas públicas): média simples.
  • Estoques (dívida em proporção do PIB): quanto mudou do herdou ao entregou, além da média.

Toda média aparece em duas versões, com e sem 2020–21, os anos da pandemia (veja O que veio de fora).

As quatro camadas

Cada tema é apresentado em quatro camadas que nunca se misturam:

  1. FatoO número, com a fonte. Sem adjetivos.
  2. ContextoO que estava fora do controle do governo: preço das commodities, juros e crescimento no mundo, pandemia, Congresso, decisões do STF, de estados e municípios.
  3. DecisãoO que o governo fez, em leis, decretos, medidas provisórias, vetos e execução do orçamento, sempre com link para o ato oficial.
  4. LeituraO melhor argumento a favor e o melhor argumento contra cada governo, lado a lado, com o mesmo espaço e atribuídos a autores identificados. São interpretações, não conclusões do site.

Na prática: se o PIB cresceu pouco, o número fica na camada de fato, e o porquê fica no contexto e nas decisões. Um PIB menor pode vir de um choque externo ou de uma escolha do governo, e o site mostra qual. Nenhum número aparece numa leitura sem estar antes na camada de fato.

De onde vêm os números

As fontes seguem uma hierarquia. Quanto mais perto de quem produz o dado, mais usos ela permite.

NívelQuemPode ser usado para
1Órgãos oficiais: IBGE, Banco Central, Tesouro, ministérios, Planalto, Congresso, TCU, CGU, INPE, ONUnúmeros, fatos e decisões
2Instituições independentes: IFI do Senado, Ipea, FGV, FMI, Banco Mundial, CEPAL, OCDEnúmeros e contexto
3Artigos acadêmicoscontexto e leituras
4Imprensasó a data e a descrição de um evento, nunca números

Redes sociais não são fonte. Elas entram como objeto de checagem: está previsto conferir contra os dados as afirmações mais repetidas de cada lado.

Os dados são baixados por programas que qualquer pessoa pode rodar. Cada arquivo baixado é guardado sem edição, com a data, o endereço de origem e uma impressão digital (SHA-256) que mostra se ele foi alterado. Como páginas de governo mudam, os links de documentos oficiais vão sendo copiados para o Wayback Machine, e a cópia aparece ao lado do link quando existe.

Escolhas feitas antes de ver os dados

A lista de indicadores de cada tema foi registrada antes de qualquer dado ser baixado. Isso evita, mesmo sem querer, escolher só o que confirma uma opinião. O histórico do projeto, que guarda a data de cada mudança, registra essa ordem.

Trocar ou acrescentar um indicador depois é permitido, mas a mudança fica registrada com o motivo, e o indicador original continua publicado.

O que veio de fora

Parte do que acontece num governo vem do mundo. O boom das commodities ajudou toda a América Latina nos dois primeiros mandatos de Lula; a pandemia atingiu todos os países. O site usa três recursos para separar uma coisa da outra:

  • Comparação com outros países. O Brasil aparece ao lado da mediana da América Latina (18 países) e dos emergentes do G20 (Argentina, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Turquia), com dados do FMI, que usa o mesmo conceito para todos. A mediana impede que um país muito grande ou um caso extremo puxe o grupo. Projeções não entram.
  • Com e sem a pandemia. Toda média aparece com e sem 2020–21. Tirar esses anos remove a queda do PIB e também o Auxílio Emergencial, que reduziu a pobreza em 2020; as duas coisas saem juntas, e o site avisa.
  • Fichas de crise. Está previsto um módulo que trata cada crise com a mesma ficha: o que aconteceu, o que era competência federal, o que foi decidido e quando, o resultado e como os outros países se saíram.

Cuidados ao ler os gráficos

Alguns limites valem para qualquer comparação entre governos. Os que afetam um indicador estão nas ressalvas da ficha dele.

  • O primeiro ano roda com o orçamento do governo anterior. A lei orçamentária de cada primeiro ano foi proposta por quem saiu. O site marca esse ano.
  • Efeitos chegam com atraso. O resultado de uma reforma costuma aparecer no mandato seguinte.
  • Nem tudo é do governo federal. Educação básica e segurança pública são, em grande parte, de estados e municípios.
  • Juros sob outra regra desde 2021. Com a autonomia do Banco Central, a diretoria passou a ter mandato fixo e a Selic deixou de depender de um diretor que o presidente podia demitir.
  • Algumas séries mudaram no caminho. A pesquisa de emprego atual (PNAD Contínua) só existe desde 2012; antes, a PME cobria seis regiões metropolitanas. O CAGED mudou em 2020 e a dívida bruta, em 2008. Nesses casos, as duas partes não são emendadas, e o gráfico mostra o corte.
  • Os números recentes ainda podem mudar. O IBGE revisa o PIB dos últimos anos com cerca de dois anos de atraso.
  • Receitas e gastos que acontecem uma vez só, como a cessão onerosa do petróleo (2010), a privatização da Eletrobras (2022) e o pagamento de precatórios atrasados (2023), mexem no resultado de um ano sem mudar a política de fundo. As fichas listam esses casos.

Linguagem e checagem

  • Sem adjetivos. Os fatos são atribuídos a quem os afirmou, por exemplo "segundo a denúncia do MPF" ou "segundo a PF".
  • Ninguém é chamado de culpado sem condenação definitiva. Absolvições, anulações e arquivamentos têm o mesmo destaque que as condenações.
  • Pessoas sem cargo público aparecem só pela função, como "empresário".
  • No debate, todas as afirmações verificáveis dos dois candidatos foram listadas antes de qualquer checagem, com a mesma regra para os dois, e julgadas contra dados oficiais. Opiniões, promessas e previsões não são checadas. Os selos estão explicados em Como ler os selos, no fim da página do Debate.

Uso de inteligência artificial

Na página do Debate, a extração das afirmações, a verificação, a classificação das respostas e a análise retórica foram feitas por agentes de inteligência artificial (o modelo Claude, da Anthropic), seguindo regras escritas antes de cada etapa. Onde o método previa, um segundo agente revisou o trabalho, e o responsável pelo projeto revisou as decisões.

Agentes de IA erram. Por isso cada cartão traz as fontes, e as citações e os números foram conferidos por programa contra o texto salvo de cada fonte.

Erros e correções

Quando uma regra muda ou um erro é corrigido, a mudança fica nas decisões de método, com o motivo, e a versão anterior não é apagada.

Antes do lançamento, está prevista uma revisão em que uma pessoa de cada lado tenta derrubar o material. Cada objeção recebe resposta escrita, e o que estiver certo é corrigido e registrado.

Quem faz. Este site é um projeto da Otther, sem vínculo com partidos ou candidatos e sem financiamento externo.

Documentos e dados

Tudo o que está resumido nesta página tem um documento técnico. Os textos abrem para leitura no próprio site, e as planilhas abrem com busca. Em todos há um botão para baixar o arquivo original.