# Registro de decisões Cada decisão de método fica aqui, com o porquê e as alternativas descartadas. Decisão **fechada** vem do plano ou já foi validada. Decisão **provisória** foi tomada para destravar o trabalho e precisa de validação antes da publicação. Mudar uma decisão fechada exige nova entrada, sem apagar a anterior. --- ## D-001 · Mandatos como colunas separadas - **Status**: fechada (plano original). - **Decisão**: Lula 1, Lula 2, Bolsonaro e Lula 3 aparecem separados. - **Por quê**: uma média dos três mandatos de Lula misturaria contextos mundiais diferentes, como o boom de commodities dos anos 2000 e o pós-pandemia. ## D-002 · Séries começam em 2002 - **Status**: fechada (extensão do plano, que fala em 2003–2026). - **Decisão**: as séries começam em 2002, último ano de FHC. - **Por quê**: sem 2002 não há "herdou" para Lula 1. O ano aparece só como ponto de partida, sem análise do governo FHC. ## D-003 · Pré-registro dos indicadores pelo git - **Status**: fechada. - **Decisão**: a lista de indicadores de cada tema ([indicadores_fixados.md](indicadores_fixados.md)) e as fichas entram num commit antes do commit com os primeiros dados do tema. - **Por quê**: o plano pede que os indicadores sejam escolhidos antes de ver os resultados. O histórico do git, com data e hash, prova a ordem para qualquer pessoa. - **Limite honesto**: quem escolheu os indicadores conhece a história econômica do país e sabe, em linhas gerais, como cada série se comportou. O pré-registro impede o ajuste fino depois de ver os números, não elimina esse conhecimento prévio. Por isso a lista segue de perto a do plano original e privilegia os indicadores mais usados no debate público e pelos órgãos oficiais. ## D-004 · Ferramentas: Python sem dependências e CSV - **Status**: fechada. - **Decisão**: scripts em Python 3 só com a biblioteca padrão; dados tratados em CSV longo (`indicador,data,valor,unidade,fonte`). - **Por quê**: qualquer pessoa reproduz a coleta sem instalar nada; CSV abre em qualquer planilha e funciona bem com versionamento. - **Alternativa descartada**: pandas e notebooks. Ficam como opção para análise exploratória, fora do caminho que gera os dados publicados. ## D-005 · Pastas e arquivos além do plano - **Status**: fechada. - **Decisão**: além das pastas do plano, há `scripts/` (coleta e tratamento), `temas/` (texto das camadas de contexto, decisão e leitura), `fontes/registro/` (registro de fontes documentais por tema) e um CSV de eventos por tema em `eventos/`. Cada pasta de fonte em `dados/brutos/` tem o próprio `manifesto.csv`. - **Por quê**: arquivos por tema permitem trabalhar em temas diferentes ao mesmo tempo sem conflito; a linha do tempo completa é a união dos CSVs de `eventos/`. ## D-006 · Atribuição de períodos aos governos - **Status**: fechada. - **Decisão**: ano civil inteiro para o mandato em que está; mês para quem governava no último dia do mês; 2016 como transição Dilma/Temer. - **Por quê**: todos os mandatos comparados começam em 1º de janeiro, então a regra não divide nenhum ano entre governos comparados. A posse de 5 de janeiro de 2027 (EC 111/2021) não muda a atribuição: 2026 é o último ano de Lula 3. - **Alternativa descartada**: defasar os dados (atribuir o primeiro ano ao governo anterior). Defasagens variam por indicador e não têm consenso; ficam na camada de contexto e na marcação do primeiro ano. ## D-007 · Resumo do mandato por tipo de indicador - **Status**: fechada. - **Decisão**: taxa média composta para taxas de variação; média aritmética para níveis; variação em pontos percentuais para estoques. Herdou = último período antes da posse; entregou = último período do mandato. - **Por quê**: média aritmética de taxas de crescimento superestima o crescimento acumulado quando há anos negativos; a composta responde à pergunta "quanto cresceu por ano, em média". ## D-008 · PIB real pelo índice de volume do IBGE, não pelo IPCA - **Status**: fechada. - **Decisão**: a variação real do PIB e do PIB per capita vem do índice de volume das Contas Nacionais. Não se deflaciona o PIB nominal pelo IPCA. - **Por quê**: o IPCA mede preços ao consumidor; o PIB inclui investimento, governo e exportações, cujos preços seguem outro caminho. O IBGE já mede o volume diretamente. A regra geral do plano, "valores reais pelo IPCA", vale para valores monetários (orçamento, salário, benefícios). ## D-009 · Grupos de pares e mediana - **Status**: fechada, validada por Otávio em 5 de outubro de 2026. - **Decisão**: dois grupos, sem o Brasil: América Latina (lista da CEPAL, 18 países com dados no WEO; Cuba fica fora por falta de dados) e emergentes do G20 (9 países). Estatística: mediana anual. Fonte: FMI, World Economic Outlook. - **Por quê**: o plano pede "mediana da América Latina e dos emergentes". A lista da CEPAL é a definição regional mais usada e não foi escolhida pelo projeto. Os emergentes do G20 são economias de porte comparável ao do Brasil; o grupo "emergentes e em desenvolvimento" do FMI inclui mais de 150 países, muitos de baixa renda. - **Alternativas**: América do Sul apenas; países exportadores de commodities; agregado ponderado do FMI (descartado porque inclui o Brasil e é dominado por Brasil e México). Mostrar mais de um grupo já reduz o risco de um grupo escolhido a dedo. ## D-010 · O Brasil nas comparações com pares vem do WEO - **Status**: fechada. - **Decisão**: quando o gráfico compara o Brasil com a mediana dos pares, o número do Brasil é o do WEO, não o do IBGE ou do Banco Central. - **Por quê**: mesma régua. O FMI harmoniza conceitos entre países (por exemplo, dívida bruta do governo geral). Nas demais páginas, vale a série nacional. ## D-011 · Dívida bruta em duas séries, sem emenda - **Status**: fechada. - **Decisão**: a série principal é a dívida bruta do governo geral do Banco Central pela metodologia de 2008 (SGS 13762), que começa em dezembro de 2006. Para 2002–2006 aparece a série pela metodologia antiga (SGS 4537), em traço diferente e com aviso. A dívida líquida do setor público (SGS 4513) tem série única desde 2001 e cobre todos os mandatos com a mesma régua. - **Por quê**: emendar séries de metodologias diferentes criaria um salto falso. A dívida líquida é a única medida contínua para comparar Lula 1 com os demais. ## D-012 · Resultado primário pelo Banco Central, com sinal de superávit - **Status**: fechada para o piloto. - **Decisão**: resultado primário do setor público consolidado, acumulado em 12 meses, em % do PIB (SGS 5793, conceito "abaixo da linha"). O sinal é invertido: positivo = superávit. - **Por quê**: é a série mais longa e consistente, cobre União, estados, municípios e estatais, e as metas fiscais até 2023 eram fixadas para esse conceito. O Banco Central publica a necessidade de financiamento, em que positivo é déficit; inverter evita confusão no gráfico. - **Próxima rodada**: acrescentar o resultado do governo central (Tesouro, conceito "acima da linha"), alvo da regra fiscal desde a LC 200/2023, e o resultado estrutural estimado pela IFI. ## D-013 · Selic pela meta e juro real ex-post - **Status**: fechada. - **Decisão**: Selic = meta do Copom no último dia do mês (SGS 432). Juro real ex-post = Selic acumulada em 12 meses (SGS 4390) descontada pelo IPCA de 12 meses. - **Por quê**: a meta é a decisão de política; o juro real mostra o aperto efetivo e permite comparar períodos de inflação diferente. ## D-014 · Câmbio nominal e real efetivo - **Status**: fechada. - **Decisão**: câmbio nominal = R$/US$ média mensal de venda (SGS 3698). Câmbio real = índice de taxa de câmbio efetiva real deflacionado pelo IPCA (SGS 11752). - **Por quê**: o nominal é o número que as pessoas conhecem; o real efetivo considera inflação e todos os parceiros comerciais. Os dois alimentam o alternador nominal/real do site. ## D-015 · Ano-base dos valores reais - **Status**: provisória. - **Decisão**: valores monetários em reais de 2025 (média do ano), corrigidos pelo IPCA (SIDRA 1737, número-índice). - **Por quê**: último ano completo. Quando 2026 fechar, a base muda para 2026 e a mudança fica registrada aqui. ## D-016 · PIB per capita de 2024 e 2025 - **Status**: fechada para o piloto. - **Decisão**: 1996–2023 vem da tabela 6784 do IBGE (Contas Nacionais anuais). Para 2024 e 2025, ainda sem conta anual, a variação per capita é calculada como (1 + variação do PIB) / (1 + variação da população) − 1, com o PIB das Contas Trimestrais (SIDRA 5932) e a população do IBGE (tabela 6784 para 2023 e estimativas da tabela 6579 para 2024 e 2025). Os dois anos ficam marcados como preliminares. - **Por quê**: é o mesmo cálculo que o IBGE faz no comunicado anual do PIB. A série de estimativas de população (6579) tem quebras em 2013 e depois do Censo 2022, então não serve para anos anteriores. ## D-017 · Projeções ficam fora - **Status**: fechada. - **Decisão**: nenhuma projeção entra como dado (nem do FMI, nem do Focus, nem de ministérios). - **Por quê**: projeção é opinião sobre o futuro; o projeto compara o que aconteceu. ## D-018 · Visual sem cores de partido - **Status**: fechada. - **Decisão**: no site, todos os mandatos usam o mesmo cinza de fundo e a mesma cor de série. Nenhuma cor associada a partido ou candidato (vermelho do PT, verde-amarelo ou azul do PL) marca um governo. As cores de série só distinguem o Brasil dos grupos de pares. O quadro de mandatos mostra os quatro lado a lado, sem barra de "um contra o outro". - **Por quê**: cor de partido transforma comparação em torcida e sugere placar, que o projeto não dá. Simetria vale também para o desenho. - **Referência visual**: a interface se inspira no painel de apuração seuimposto.com (tema escuro, título em serifa, navegação em pílulas, régua de tempo), com fontes, cores e componentes próprios. ## D-019 · Cor e foto por presidente (substitui D-018) - **Status**: fechada, por decisão de Otávio em 5 de outubro de 2026. - **Decisão**: nos gráficos, os períodos de Lula aparecem em vermelho e o de Bolsonaro em azul (linha da série e faixa de fundo); FHC, Dilma e Temer ficam em cinza, como contexto. As páginas mostram a foto de cada um. - **Por quê**: identificação visual imediata de quem governava em cada trecho da série. - **Como a simetria se mantém**: cada presidente tem uma cor fixa, de mesmo peso visual, aplicada do mesmo jeito em todos os gráficos. A cor diz quem governava, nunca se o resultado foi bom ou ruim; números e textos ficam em tinta neutra. Barras e listas seguem a ordem cronológica, nunca a ordem do valor. As duas fotos vêm da mesma fonte e da mesma eleição (registro de candidatura no TSE, 2022), com o mesmo tamanho e enquadramento (ver `site/img/CREDITOS.md`). - **Risco registrado**: vermelho e azul lembram as cores dos partidos (PT; PL em 2022) e podem puxar uma leitura de torcida. A revisão adversarial (metodologia, seção 9) deve avaliar se o visual favorece algum lado. - **Medianas de pares**: como vermelho e azul já identificam governos, as medianas da América Latina e dos emergentes viram linhas de referência tracejadas em cinza, com rótulo; duas cores a mais não passaram no teste de distinção no tema escuro. ## D-020 · PDFs brutos fora do git - **Status**: provisória. - **Decisão**: relatórios em PDF baixados como fonte (por exemplo, os relatórios anuais do NDB, 57 MB) ficam no disco em `dados/brutos/`, mas fora do git. O manifesto da pasta, que vai para o git, guarda a URL, a data e o SHA-256 de cada arquivo; os números extraídos ficam transcritos no script com a página de origem. - **Por quê**: o repositório guardaria cada versão desses arquivos para sempre e passaria do tamanho confortável para clonar à medida que os temas forem entrando. O hash permite a qualquer pessoa conferir que uma cópia baixada de novo é idêntica à usada. - **Alternativa**: Git LFS, se for preciso ter os PDFs no repositório remoto. ## D-021 · Emprego e renda: ajustes ao pré-registro na coleta - **Status**: fechada. - **Decisão**: 1. Desocupação da PME pelo IBGE (SIDRA 2176, variável 1031), e não pelo Ipeadata. A série do Ipeadata (`PAN12_TD12`) tem os mesmos valores, mas para em dez/2015; pela hierarquia, vale o órgão que produz o dado. 2. Grau de informalidade da PNAD anual só existe na definição I do Ipea (`DISOC_INFI`), de 2001 a 2014, sem 2010 (ano de Censo, sem PNAD). O pré-registro previa até 2015. 3. Gini em duas fichas: `gini` (IBGE, PNAD Contínua, escala de 0 a 1, desde 2012) e `bm_gini` (Banco Mundial, escala de 0 a 100, Brasil e pares). 4. Rendimento do trimestre móvel deflacionado pela média do IPCA dos três meses do trimestre. Esse critério reproduz a série real do próprio IBGE com diferença máxima de 0,2%. 5. Salário mínimo real resumido pela variação em reais de 2025 entre herdou e entregou. - **Por quê**: as séries pré-registradas foram executadas; os ajustes acima vieram da disponibilidade real dos dados, sem olhar o efeito sobre os resultados. - **Linhas de pobreza do Banco Mundial**, conferidas na API em 05/10/2026: US$ 3,00 por dia (extrema) e US$ 8,30 por dia (renda média-alta), em PPC de 2021, desde a revisão de 2025. ## D-022 · Mediana de pares só com metade do grupo - **Status**: fechada. - **Decisão**: a mediana de um grupo de pares só é publicada no ano em que pelo menos metade dos países do grupo tem dado (9 de 18 na América Latina; 5 de 9 nos emergentes do G20). Nos outros anos, fica em branco. - **Por quê**: dados de pobreza e Gini vêm de pesquisas domiciliares com calendário irregular. Sem a regra, a mediana de 2025 dos emergentes teria um país só e o resumo do mandato compararia grupos diferentes. Nos dados do FMI, que cobrem quase todos os países, a regra não muda nada. ## D-023 · Quebra de série desenhada como corte na linha - **Status**: fechada. - **Decisão**: quando uma série de terceiros muda de pesquisa no meio (a do Banco Mundial para o Brasil passa da PNAD anual para a PNAD Contínua em 2012), a série fica inteira no CSV, com a pesquisa de cada ano na coluna `fonte`, e o gráfico corta a linha na data da troca. Nenhum resumo por mandato atravessa a quebra. - **Por quê**: mesma regra da D-011, sem emendar métodos diferentes, aplicada a uma série que já vem harmonizada pela fonte. - **Séries nacionais de pesquisas diferentes** (PME e PNAD Contínua; PNAD anual e PNAD Contínua) aparecem as duas coloridas por governo, a mais antiga tracejada, e as barras por mandato ficam separadas por pesquisa. Assim, nenhum mandato fica com aparência de dado secundário só porque o IBGE trocou de pesquisa. ## D-010 · nota de edição - A edição do WEO usada é a de abril de 2026 (publicada em 14/04/2026), confirmada no atributo de publicação da API em 05/10/2026. ## D-024 · Educação: ajustes ao pré-registro na coleta - **Status**: fechada. - **Decisão**: 1. IDEB e Saeb vêm da planilha de divulgação do INEP, que já traz a edição de 2025 (divulgada em agosto de 2026). O Saeb usa o mesmo universo do IDEB (no 9º ano e no ensino médio, escolas urbanas). 2. Matrículas da educação básica em duas séries, porque o Censo Escolar mudou de método em 2007 (Educacenso). 2003 e 2004 ficam fora: só existem em PDF, com as tabelas como imagem. 3. Matrículas no ensino superior: só graduação, em duas séries, porque o método mudou em 2009. 4. Despesa federal na função Educação pelo endpoint de dados abertos do Orçamento Federal (SOF/SIOP), sem cadastro: valor pago do exercício, sem restos a pagar, conferido com a DCA da União de 2014 a 2025. Duas séries: com intraorçamentárias desde 2002 e sem desde 2006. 5. Bolsas em três séries que não se somam: CAPES (bolsas concedidas de pós-graduação no país) e CNPq (bolsas-ano, total e pós-graduação no país). 6. PISA pela OCDE, e não pelo Banco Mundial (EdStats), que para em 2018 e não tem 2022. Entra também o PISA 2025, divulgado em setembro de 2026. Matemática começa em 2003 e ciências em 2006, onde começa a escala de tendência da OCDE. 7. Gasto público em educação (% do PIB) do INEP vai só até 2021, último ano publicado. 8. Analfabetismo da PNAD anual calculado com a tabela 271 do SIDRA e conferido com a tabela 1187, porque o Ipeadata não tem mais a série. Há também uma série sem a área rural do Norte, para comparar 2002 com 2006 na mesma cobertura. - **"Herdou" em séries com lacuna** (IDEB e Saeb a cada dois anos, PISA a cada três, ano sem pesquisa): vale a última observação até quatro anos antes da posse. A regra está em `scripts/resumir.py` e vale para todos os temas. - **Arquivos grandes**: as 35 planilhas das sinopses do INEP (38 a 190 MB cada, 2,6 GB no total) ficam fora do git, como os PDFs (D-020). O manifesto guarda URL, data e SHA-256 de cada uma. ## D-025 · Meio ambiente: ano PRODES e pares amazônicos - **Status**: fechada, antes da coleta do tema. - **Decisão**: 1. O ano PRODES *t* (agosto de *t*−1 a julho de *t*) conta para o governo do ano *t*, que tem 7 dos 12 meses. Assim, o PRODES 2003 conta para Lula 1, o 2019 para Bolsonaro e o 2023 para Lula 3; o "herdou" de cada mandato é o último ano PRODES do governo anterior. 2. A comparação internacional do desmatamento usa um grupo próprio, os países amazônicos (Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela; [pares_amazonia.csv](pares_amazonia.csv)), com a mesma regra de mediana (D-022). - **Por quê**: a regra do ano PRODES é a mesma para todos os governos e segue a maioria dos meses, como a regra mensal da D-006. Os grupos de economia (América Latina e emergentes do G20) incluem países sem floresta tropical, e a mediana de perda florestal deles não diria nada. - **Alternativa descartada**: atribuir o ano PRODES ao governo em que começa (agosto). Daria ao governo que sai um ano inteiro de desmatamento que ocorreu em maioria no mandato seguinte. ## D-026 · Meio ambiente: ajustes ao pré-registro na coleta - **Status**: fechada. - **Decisão**: 1. **Emissões.** O pré-registro previa as Estimativas Anuais do MCTI como série oficial de emissões brutas. A edição mais recente (6ª, de 2022) vai só até 2020, usa outra métrica (GWP-SAR) e existe apenas em PDF. A série oficial passa a ser o Inventário Nacional do 1º Relatório Bienal de Transparência (BTR1, MCTI, dezembro de 2024, 1990–2022, GWP-100 do AR5). O MCTI não publica emissões brutas, só líquidas. Por isso as brutas pedidas no pré-registro (total e mudança de uso da terra) vêm só do SEEG 13 (Observatório do Clima, 1990–2024), e o inventário entra como série líquida de referência. A unidade é Mt CO₂e. 2. **DETER.** O dado público do sistema atual (DETER-B, desde agosto de 2015) cobre o bioma Amazônia, e não a Amazônia Legal. O sistema antigo (2004–2017) não tem dado público legível por máquina: o diretório oficial responde 403. Lula 1 e Lula 2 ficam sem DETER. Entram também a soma por ano PRODES e os alertas de degradação. 3. **Cerrado.** O INPE publica incremento mapeado, não taxa. Há uma série anual desde 2013 e, de 2002 a 2012, outra com a média anual de cada biênio, sem emenda entre as duas. 4. **Focos de calor.** Há três recortes: Brasil, bioma Amazônia e Amazônia Legal. O satélite de referência mudou em julho de 2002, do NOAA-12 para o AQUA. As duas séries ficam separadas, e 2002 fica fora das séries anuais (D-011). 5. **Área queimada.** Os dados são da Coleção 5.1 do MapBiomas Fogo, obtidos pela API pública da plataforma, porque a planilha da coleção ainda não foi publicada. 6. **Autos de infração.** Até 2008, de 33% a 68% dos autos vêm sem tipo de infração. O tipo foi completado pelo conjunto "Multas distribuídas por bens tutelados", do próprio Ibama. Os valores também aparecem em reais de 2025. 7. **Despesa.** As séries principais excluem o financiamento reembolsável do Fundo Clima (inversão financeira, GND 5, despesa financeira). Esse financiamento somou R$ 10,5 bilhões em 2024 e R$ 15,6 bilhões em 2025, 74% e 78% do valor pago na função. São empréstimos que voltam ao fundo, então a exclusão vale para todos os anos. A série com os empréstimos aparece em cinza. 8. **Perda de floresta primária.** A perda aparece também em % da floresta de 2001, que é a base da comparação com os países amazônicos. Em hectares, o Brasil tem de 5 a 32 vezes a floresta de cada vizinho. - **Na página**: a série mensal do DETER, que tem estação, mostra a média do mandato, sem "herdou → entregou" de meses isolados. Os focos de calor aparecem pela soma anual. A degradação do DETER aparece somada por ano PRODES, como o desmatamento, para que a página mostre as duas coisas. - **Dados pessoais**: os arquivos de autos do Ibama trazem o nome e o CPF/CNPJ de cada autuado. O projeto publica só totais. Esses arquivos ficam fora do git e do site, com URL e SHA-256 no manifesto. A lista de candidatos de 2022 do TSE (CPF, título de eleitor e data de nascimento), que serviu para identificar as fotos, fica no repositório privado, para preservar a rastreabilidade, mas nunca vai para o site público. A planilha do SEEG (185 MB) também fica fora do git (D-020). - **Por quê**: as fontes pré-registradas não existiam no formato previsto. Cada troca usa a fonte primária mais próxima do conceito fixado, sem emendar métodos. Os detalhes estão em [meio_ambiente_notas.md](../dados/tratados/meio_ambiente_notas.md), seção 3. ## D-027 · Orçamento: escopo e regras do pré-registro - **Status**: fechada, antes da coleta do tema. - **Decisão**: 1. **Escopo.** Os agregados de receita, despesa e resultado seguem o Governo Central do Resultado do Tesouro Nacional (Tesouro, Previdência Social e Banco Central), em regime de caixa, com os restos a pagar pagos. A composição da despesa (por função, investimento e emendas) vem dos orçamentos fiscal e da seguridade social (SOF/SIOP). Estados, municípios e estatais ficam fora, exceto na comparação com pares, que usa o governo geral do FMI. 2. **Função no lugar de programa.** O plano original previa despesa "por função e por programa". Os programas mudam a cada Plano Plurianual (2004, 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024) e não formam série. A função e a subfunção seguem a mesma classificação desde 2000 (Portaria MOG 42/1999). 3. **Despesa primária.** A despesa por função exclui as operações financeiras (identificador de resultado primário 0: juros, amortização da dívida e empréstimos reembolsáveis), como na D-026. Os juros entram à parte, pelo Banco Central. 4. **Valores.** Reais de 2025 pelo IPCA médio do ano (D-015) e % do PIB com uma única série de PIB nominal do IBGE. 5. **Ano fiscal.** Conta para o governo que executou o orçamento. A lei orçamentária do primeiro ano de cada mandato foi votada no governo anterior, e a de 2023 foi ampliada pela EC 126/2022, aprovada antes da posse. As observações registram isso. 6. **Pandemia.** Além do botão "sem 2020–21" do site, a despesa primária tem uma série alternativa sem as despesas de combate à covid-19 identificadas pelo Tesouro (2020 a 2022). 7. **Emendas.** Contam pelo valor pago no exercício, por tipo. A série começa no primeiro ano em que o orçamento identifica emendas de forma consistente, e nenhuma série junta conceitos diferentes (D-011). 8. **Pares.** Despesa e receita totais do governo geral (FMI, WEO), com os grupos e a regra de mediana da economia (D-009, D-022). - **Por quê**: o RTN é a fonte oficial do resultado primário da União e acompanha as regras fiscais de todos os governos do período. A função é a única classificação estável no tempo. Tirar as operações financeiras evita contar como gasto empréstimos que voltam ao caixa (D-026). ## D-029 · Saúde: escopo, mortalidade e pandemia - **Status**: fechada, antes da coleta do tema. - **Decisão**: 1. **Responsabilidade.** O SUS é das três esferas. A página separa o que a União decide (piso de ASPS, vacinação, atenção primária e provimento de médicos) dos resultados de todo o sistema (mortalidade e esperança de vida). 2. **Mortalidade.** A taxa direta do Ministério da Saúde (óbitos do SIM sobre nascidos vivos do SINASC) e a estimativa do IBGE ficam lado a lado, sem emenda (D-011). O sub-registro de óbitos e nascimentos, maior no começo da série e no Norte e Nordeste, faz a taxa direta subestimar a mortalidade nos anos 2000; a ficha registra isso. 3. **Resumo por variação.** Mortalidade, esperança de vida, leitos e médicos por habitante têm tendência longa, de queda ou de alta. A média do mandato favoreceria quem governa depois; vale a variação no mandato (entregou − herdou). 4. **Pandemia.** Em 2020 e 2021, a covid-19 muda mortalidade, esperança de vida e vacinação. A variação de Bolsonaro e o "herdou" de Lula 3 incluem esse efeito, dito na observação; a covid-19 em si fica no módulo de crises. 5. **Despesa.** O tema usa a despesa em ASPS, o conceito do piso constitucional (EC 29/2000, EC 86/2015, EC 95/2016 e LC 200/2023), com o piso de cada ano. A despesa por função fica no tema Orçamento, para não haver dois números para a mesma coisa. 6. **Pares.** Banco Mundial (UN IGME, MMEIG, WUENIC e OMS), com os grupos de pares.csv e a regra da D-022. - **Por quê**: os mesmos critérios dos outros temas (simetria, sem emenda de métodos e mesma régua para todos os governos), aplicados a indicadores com tendência longa e a uma responsabilidade dividida entre União, estados e municípios. ## D-030 · Social: programa de transferência de renda e insegurança alimentar - **Status**: fechada, antes da coleta do tema. - **Decisão**: 1. **Uma série de programa.** Bolsa Família (até outubro de 2021), Auxílio Brasil (novembro de 2021 a fevereiro de 2023) e o novo Bolsa Família (desde março de 2023) formam uma série só de famílias beneficiárias e de benefício médio, porque um sucedeu o outro no mesmo público (Cadastro Único). O nome do programa vai na coluna `fonte`, e a régua marca as trocas. Os programas anteriores a 2003 (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio-Gás) e o Auxílio Emergencial (2020–2021) ficam em séries à parte. 2. **Valores reais.** Benefício médio e despesa em reais de 2025, pelo IPCA médio do ano (D-015). 3. **Insegurança alimentar.** A série principal é a da EBIA do IBGE. As mudanças de questionário entre edições ficam registradas na ficha; se o IBGE não declarar as edições comparáveis, as séries ficam lado a lado (D-011). Inquéritos de outras instituições, como os da Rede PENSSAN, entram só como referência rotulada, sem emenda com a série do IBGE. 4. **Habitação.** Conta a unidade contratada, que é a decisão do governo. As entregas entram em série à parte quando houver dado consistente para todo o período. 5. **Pares.** FAO, via Banco Mundial, com os grupos de pares.csv e a regra da D-022. - **Por quê**: os programas mudaram de nome e de regra, mas atendem ao mesmo público e substituem um ao outro. Separar a série por nome cortaria a comparação no meio de mandatos (2021 e 2023), e juntar o Auxílio Emergencial misturaria um benefício temporário de pandemia com o programa permanente. ## D-028 · Orçamento: ajustes ao pré-registro na coleta - **Status**: fechada. - **Decisão**: 1. **PIB.** As razões sobre o PIB usam a soma dos quatro trimestres da tabela 1846 do SIDRA (Contas Nacionais Trimestrais), o mesmo PIB do Tesouro. A tabela anual 6784 vai só até 2023. 2. **Covid.** As despesas de combate à covid-19 vêm da tabela 4.1 do RTN de dezembro de 2022, a última edição que a traz: R$ 520,9 bilhões em 2020, 120,8 bilhões em 2021 e 20,8 bilhões em 2022. 3. **Juros.** SGS 4616 (juros nominais do setor público consolidado, em reais), somado em 12 meses e dividido pelo PIB do IBGE. O SGS 5760 (% do PIB) serve de conferência. 4. **Despesa por função.** Urbanismo e habitação são séries separadas, e "as demais" se dividem em encargos especiais (função 28) e demais funções. Há também o total e duas versões de cada série: com intraorçamentárias, desde 2002, e sem, desde 2006, quando a modalidade 91 passou a existir. 5. **Investimento.** O conceito do pré-registro (pago com restos a pagar) só existe no RTN desde 2008. Entra também o pago no próprio ano, do SIOP, desde 2002, sem emenda entre as duas séries. Os blocos da página usam a série do SIOP, a única que cobre os quatro mandatos. Os restos a pagar foram cerca de metade do investimento pago em 2010, 2022 e 2025. 6. **Discricionárias.** A série do Tesouro começa em 2008. 7. **Emendas.** Cada tipo começa quando o identificador de resultado primário entra na LDO: individuais em 2014, bancada em 2017, comissão em 2020 e relator-geral de 2020 a 2022. Nenhuma fonte aberta identifica emendas antes de 2014, e não há série de total, porque a cobertura mudaria no meio da série. Na revisão, entrou o valor **empenhado** de cada tipo, ao lado do pago no próprio ano, que segue como série principal. O pago no ano deixa de fora os restos a pagar, que nas emendas são a maior parte da execução e mudam muito de um ano para outro: as emendas de relator de 2020, por exemplo, tiveram R$ 19,7 bilhões empenhados e R$ 7,0 bilhões pagos no ano. Em 2023, R$ 9,85 bilhões de emendas do relator foram classificados como despesa discricionária comum (EC 126/2022) e não aparecem nas séries. 8. **Precatórios.** O total (cinco linhas do RTN) começa em 2010; a linha de custeio e capital, em 2005. O bloco do mandato não usa a linha de custeio e capital no lugar do total, porque é outro conceito. 9. **Gastos tributários.** A série aberta vai de 2014 a 2023. As edições anteriores só existem em PDF, e um mesmo ano muda muito entre edições. 10. **Conferências.** Duas tolerâncias foram definidas depois de ver os dados. A do RTN contra os boletins de dezembro (1,5% da receita líquida) acomoda revisões do próprio Tesouro: a de 2022, por exemplo, baixou o resultado de R$ 54,1 para 46,4 bilhões por compensações de ICMS da LC 194/2022. A das emendas contra o Portal da Transparência exige igualdade de 2021 a 2024, quando as duas fontes classificam do mesmo jeito; nos outros anos, o Portal classifica pelo autor. As tolerâncias só decidem quando o script para; todas as diferenças estão listadas nas notas. - **Por quê**: as fontes previstas não tinham todas as séries no formato e no período esperados. Cada ajuste usa a fonte oficial mais próxima do conceito fixado, sem emendar métodos (D-011). As duas séries acrescentadas, empenhado das emendas e investimento do SIOP, servem para que o leitor veja a mesma coisa medida de outro jeito. Detalhes em [orcamento_notas.md](../dados/tratados/orcamento_notas.md), seção 3. ## D-031 · Saúde: ajustes ao pré-registro na coleta e leitura na página - **Status**: fechada. - **Decisão**: 1. **ASPS.** Nenhuma fonte cobre a série inteira. O SIOPS tem os dados homologados da União desde 2012; de 2002 a 2011, os números vêm dos RREOs de dezembro do Tesouro Nacional, em PDF, transcritos com a página (D-020). O piso de 2002 a 2012 é calculado com o quadro "Cálculo do limite" do próprio RREO. Há também séries em reais correntes. 2. **Vacinação.** SI-PNI (TabNet) até 2022 e painel da RNDS desde 2023, lado a lado, sem emenda. Coberturas acima de 100% vêm da diferença entre doses aplicadas e população-alvo estimada; a ficha explica. 3. **Atenção primária.** O e-Gestor AB foi substituído pelos Relatórios Públicos da APS. A cobertura da atenção básica e a da Saúde da Família vão de julho de 2007 a dezembro de 2020. Desde 2021, o Ministério publica a Cobertura Potencial Estimada, outro conceito, em série separada. Não há dado antes de julho de 2007. 4. **Mortalidade infantil e esperança de vida.** As estimativas do IBGE vêm da revisão de 2024 das projeções da população, feita com o Censo 2022 e conferida com as tábuas de 2023 e 2024. A taxa corrigida do Ministério (RIPSA) e os números de óbitos e nascidos vivos entram como apoio. 5. **Mortalidade materna.** A razão corrigida do Ministério existe só de 2010 a 2023; a razão direta cobre todo o período. 6. **Médicos e leitos.** Médicos contados como indivíduos no CNES (cada médico uma vez), em duas séries por causa da troca da classificação de ocupações em 2007. Leitos e médicos também em números absolutos. - **Na página**: - **Mortalidade infantil.** A série principal é a estimativa do IBGE, que corrige o sub-registro; a taxa direta do Ministério aparece tracejada. O sub-registro era maior no começo da série, então a taxa direta mostraria uma queda menor nos primeiros mandatos por causa da medição, não da mortalidade. - **Mortalidade materna.** A série principal é a razão direta, a única com todos os mandatos; a corrigida aparece tracejada. - **Sistemas e conceitos diferentes.** As séries de sistemas diferentes (vacinação) e de conceitos diferentes (atenção primária) ficam lado a lado. O bloco do mandato só usa a série de outro conceito com aviso. - **Por quê**: as fontes previstas não tinham todas as séries no período esperado. Cada ajuste usa a fonte oficial mais próxima do conceito fixado, sem emendar métodos (D-011). Detalhes em [saude_notas.md](../dados/tratados/saude_notas.md), seção 3. ## D-032 · Social: ajustes ao pré-registro na coleta e leitura na página - **Status**: fechada. - **Decisão**: 1. **Famílias e benefício médio.** Fonte: API MI Social do MDS, base do VIS Data 3. O total nacional é a soma dos municípios feita pelo próprio servidor e começa em janeiro de 2004; outubro a dezembro de 2003 ficam fora. O benefício médio é o valor transferido dividido pelas famílias, a única definição igual nos três programas. Os programas anteriores (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio-Gás) entram só com dezembro de 2002 a 2005, pelo boletim do Ipea que cita o MDS (nível 2). 2. **Despesa.** Valor pago no SIOP nas ações do programa em cada ano (006O, 099A, 0B19, 8442 e 21DP), desde 2004, porque o orçamento de 2003 não tem ação do Bolsa Família. Os programas anteriores ficam em série à parte em 2002 e 2003. Em 2020, o pago na ação do programa (R$ 18,88 bilhões) difere do transferido às famílias segundo o MDS (R$ 9,67 bilhões); a diferença não foi conciliada e está nas notas. 3. **Auxílio Emergencial.** Pessoas pelo MI Social e valor pago pelo SIOP, conferido com o Resultado do Tesouro Nacional. O Portal da Transparência só tem dados por beneficiário e não foi usado. O Auxílio Emergencial Residual não tem série de pessoas. 4. **BPC.** MI Social; dezembro de 2002 e 2003 pela Nota Técnica 03/2016 do MDS. 5. **Cadastro Único.** A série começa em agosto de 2012. Entram também pessoas e famílias com renda de até meio salário mínimo. Abril de 2025 vem zerado na fonte e fica fora. 6. **Insegurança alimentar.** Tabela 6665 do SIDRA, com as edições reprocessadas pelo IBGE na escala de 14 itens, em três séries que não se emendam: PNAD (2004, 2009 e 2013), POF (2017–2018) e PNAD Contínua (2023 e 2024). Entra também a insegurança grave. Os inquéritos da Rede PENSSAN não entraram, porque os sites da rede não responderam na coleta. 7. **Habitação.** As duas bases abertas do Ministério das Cidades: o MCMV subsidiado (faixa 1) e o financiado (faixas 1 a 4); a faixa 1,5 não vem separada. Não há série de entregas, porque os arquivos não trazem a data da entrega. 8. **Déficit habitacional.** Três séries que não se emendam: PNAD (2007–2015), Censo 2010 e PNAD Contínua (desde 2016), em domicílios e em % dos domicílios. A série de 2007–2015 veio de cópia do Wayback Machine, porque o repositório da Fundação João Pinheiro recusou o acesso. As edições de 2000, 2005 e 2006 ficaram fora. 9. **Pares.** Sem mudança de fonte; conferência com o banco de indicadores de ODS da ONU. - **Na página**: famílias atendidas pela média mensal do ano. Insegurança alimentar com as três pesquisas lado a lado; Bolsonaro fica sem medição do IBGE porque não houve edição entre 2019 e 2022. O Auxílio Emergencial tem aba própria. - **Por quê**: as fontes previstas não tinham todas as séries no período e no formato esperados. Cada ajuste usa a fonte oficial mais próxima do conceito fixado, sem emendar métodos (D-011). Detalhes em [social_notas.md](../dados/tratados/social_notas.md), seção 3. ## D-033 · Escândalos: o que entra e como se apresenta - **Status**: fechada, antes da pesquisa do tema. - **Decisão**: 1. **O que é um caso.** Suspeita de crime ou de irregularidade grave envolvendo agentes do governo federal que teve ao menos um ato oficial de apuração: inquérito da Polícia Federal ou de tribunal, denúncia do Ministério Público, CPI ou CPMI, acórdão do TCU com responsabilização, ação de improbidade ou decisão judicial. Caso conhecido só pela imprensa, sem ato oficial, não entra. 2. **Quem.** Presidente e vice; ministros e equivalentes; dirigentes de órgãos federais, autarquias e estatais; assessores da Presidência; familiares do presidente quando a apuração envolve o governo ou o cargo; e dirigentes do partido do governo ou da base no Congresso quando o caso envolve recursos ou votações do governo federal. Também entram os processos contra Lula e Bolsonaro por fatos ligados ao cargo, ainda que abertos depois do mandato. 3. **Período e governo.** De 2002 até a data de corte. Cada caso conta para o governo em que os fatos começaram; quando os fatos atravessam governos, a observação diz isso. FHC, Dilma e Temer entram como contexto, com o mesmo critério. 4. **Situação.** Cada caso traz a situação na data de corte, com a data e o ato que a definiu: em investigação, denúncia oferecida, réus (denúncia recebida), condenação (com a instância), condenação definitiva, absolvição, anulação, arquivamento, prescrição ou extinção. Absolvições, anulações e arquivamentos têm o mesmo destaque que as condenações. 5. **Linguagem.** Sem adjetivos. Os fatos são atribuídos a quem os afirmou ("segundo a denúncia do MPF", "segundo a PF"). Ninguém é chamado de culpado sem condenação definitiva. Valores só quando estão em documento oficial. 6. **Pessoas.** São nomeados os agentes públicos e dirigentes partidários envolvidos e os familiares do presidente formalmente investigados. Pessoas sem cargo público aparecem pela função (por exemplo, "empresário" ou "operador financeiro"). 7. **Fontes.** Atos oficiais (STF, STJ, tribunais regionais, Justiça Federal, MPF, PF, CGU, TCU e relatórios de CPI), nível 1. A imprensa só entra como nível 4, para a data em que o caso veio a público, dito na observação. 8. **Sem placar.** A página não soma nem ordena governos por número de casos. O número depende da duração dos mandatos, da capacidade e das prioridades dos órgãos de controle em cada época, do tempo dos processos (os casos recentes ainda estão em investigação) e das anulações. As contagens ficam só nas notas, com essas cautelas. - **Por quê**: "escândalo" é palavra de imprensa, sem definição jurídica. Exigir ato oficial dá um critério verificável e igual para todos os governos, e registrar a situação processual evita tratar suspeita como condenação. ## D-034 · Escândalos: governo do caso quando o cargo federal vem depois dos fatos - **Status**: fechada, antes da consolidação dos casos. - **Decisão**: complementa a D-033, item 3. Quando os fatos apurados são anteriores ao cargo federal do agente (por exemplo, atos como parlamentar ou governador de quem depois virou ministro), o caso conta para o governo em que ele ocupava o cargo federal quando o primeiro ato oficial de apuração o alcançou. A observação registra a data dos fatos. Macrocasos (como a Lava Jato) se dividem em casos específicos (cada ação penal, denúncia ou inquérito que alcance agentes da D-033), cada um com o início dos seus fatos. - **Por quê**: pela regra geral, um ministro investigado por atos de quando era deputado contaria para o governo anterior, com o qual o caso não tem relação. Dividir macrocasos evita atribuir a um só governo fatos que, segundo as próprias denúncias, se estenderam por vários. ## D-035 · Escândalos: regras de consolidação - **Status**: fechada na consolidação dos casos, antes da publicação. - **Decisão**: complementa a D-033 e a D-034. 1. **Início dos fatos.** É a data do primeiro ato concreto imputado a um agente da D-033 com cargo confirmado em fonte oficial (contrato, pagamento, pedido de vantagem ou ato administrativo), e não a data em que a acusação diz que um grupo começou a se organizar. Nas denúncias por organização criminosa que começam em campanha eleitoral, o caso conta para o primeiro governo em que o grupo teria usado cargos federais. 2. **Situação com vários réus.** Vale a situação dos agentes da D-033. "Misto" só quando esses agentes têm desfechos diferentes; os demais réus ficam na descrição. 3. **Denúncia rejeitada e trancamento** entram como "arquivamento", com o ato na observação. 4. **Sanção não penal.** Nova situação no vocabulário para decisões definitivas que não são condenação criminal: acórdão do TCU com débito ou multa, inelegibilidade declarada pelo TSE e impeachment. A observação diz qual é. 5. **Desfecho só na imprensa.** Fica a situação do último ato oficial confirmado; a notícia vai para a observação, como nível 4, com a data. 6. **CPI sem indiciamento aprovado** de agente da D-033 entra como "arquivamento", com o relatório (ou a rejeição dele) como ato. 7. **Dirigentes da base no Congresso** (D-033, item 2) incluem líderes e vice-líderes do governo e líderes de partidos da base, conferidos nos dados abertos da Câmara e do Senado. - **Por quê**: a data de início de uma organização é uma afirmação ampla da acusação, enquanto um contrato ou um pagamento é um fato datado e verificável; a mesma regra vale para todos os governos. Chamar decisão do TCU, do TSE ou do Senado de "condenação", ao lado das instâncias judiciais, confundiria a leitura. Detalhes e casos afetados em [escandalos_notas.md](../eventos/escandalos_notas.md), seção 3. ## D-036 · Debate: checagem das afirmações dos candidatos - **Status**: fechada antes da checagem (pré-registro). - **Decisão**: 1. **O que se checa.** Toda afirmação verificável dos dois candidatos no debate: número, data, fato, evento, atribuição de fala ou ato a alguém, comparação entre governos. Não se checam opiniões, promessas, previsões nem juízos de valor. A lista sai de uma leitura única da transcrição inteira, com a mesma regra para os dois, antes de qualquer verificação; nenhuma afirmação checável fica fora por ser de um ou de outro. 2. **Três selos.** - **Verdade**: os dados oficiais confirmam a afirmação no que ela diz, inclusive a ordem de grandeza e o período. - **Não é bem assim**: o núcleo tem base, mas falta contexto que muda a leitura (período escolhido a dedo, número nominal sem inflação, mérito atribuído a quem não decidiu, comparação sem a mesma régua, número arredondado demais). - **Mentira**: os dados oficiais contradizem a afirmação, ou o fato não aconteceu. - Quando não há dado oficial que permita concluir, a afirmação fica como **sem dados suficientes**, nas notas, e não ganha selo na página. 3. **Fontes.** O selo se apoia em fontes de nível 1 e 2 (metodologia.md, seção 5.1), de preferência nas séries e nos casos já publicados no site, com link para a página do tema. Checagens de agências e veículos (Lupa, Aos Fatos, Estadão Verifica, UOL Confere, g1 Fato ou Fake, Comprova e outros) entram como nível 4, com link e o selo que deram, para o leitor comparar; nunca são a única base do selo. Quando o selo do projeto diverge do de uma agência, a nota diz por quê. 4. **Forma.** Cada afirmação traz a citação literal, quem disse, o momento do debate, o selo, uma explicação curta com os números e as datas, e os links. Linguagem sem adjetivos, como na D-033. Afirmações sobre processos seguem a situação registrada no tema Escândalos. 5. **Sem placar.** A página não soma selos por candidato nem os ordena; as contagens ficam só nas notas, com a ressalva de que dependem de quantas afirmações checáveis cada um fez. - **Por quê**: o debate é o momento em que os dois lados fazem afirmações sobre os governos que o site compara. Usar a mesma base, a mesma regra de seleção e os mesmos critérios para os dois evita escolher o que checar conforme o resultado. ## D-036 · complemento da consolidação (19/10/2026) Regras fixadas ao juntar os sete lotes de verificação, aplicadas às afirmações dos dois candidatos: 6. **Na dúvida entre dois selos, o menos grave.** Uma afirmação só é "mentira" quando os dados a contradizem de forma direta; quando a prova é indireta, a frase admite duas leituras ou falta parte do registro, fica "não é bem assim". 7. **Checagens externas** são as de agências de checagem e das seções de checagem de veículos jornalísticos. Organizações com posição política declarada não entram. 8. **Atribuição de fala** ("fulano disse") se checa no registro integral da fala: vídeo ou íntegra publicada, ainda que num veículo de imprensa (nível "R" nos CSVs). Reportagem que resume ou cita a fala não basta. Documento oficial reproduzido literalmente pela imprensa vale como o documento; número de "documento citado" sem a transcrição não vale. 9. **Fatos sobre uma empresa** podem se apoiar no comunicado dela ao mercado (CVM ou relações com investidores). 10. **Fatos sobre o próprio debate** (o que foi dito nele) se checam na transcrição, salvo contagem de palavras de apoio ("sabe", "né"), que exige o áudio. 11. **Imprensa como único registro de um evento** (ato de rua, depredação, entrevista não publicada na íntegra) não sustenta selo: a afirmação fica "sem dados", com o selo provável na nota. ## D-037 · Debate: contador de selos na página - **Status**: fechada a pedido do usuário, depois da publicação da checagem (19/10/2026). - **Decisão**: substitui a D-036, item 5, só para a página do debate. A página mostra, para cada candidato, quantas afirmações receberam cada selo, a proporção de cada selo entre as afirmações com selo (barra e porcentagem) e quantas ficaram sem dados suficientes. A contagem acompanha o filtro de tema. Ao lado dos números fica a ressalva de que eles dependem de quantas afirmações verificáveis cada um fez e de quais temas escolheu. Nos temas de governo (séries e Escândalos) continua valendo a regra sem placar da D-033, item 8. - **Por quê**: no debate, a comparação direta entre os dois candidatos é o que o leitor procura, e as quantidades vêm de uma extração e de critérios iguais para os dois (D-036). A porcentagem sobre as afirmações com selo reduz o efeito de um ter falado mais que o outro, e a ressalva visível evita ler o contador como medida isolada de honestidade. ## D-038 · Debate: afirmações sem dados suficientes visíveis na página - **Status**: fechada em 19/10/2026, depois da publicação. - **Decisão**: complementa a D-036, item 2. As afirmações sem dado oficial suficiente para concluir passam a aparecer na página, num filtro próprio e na linha "sem dados suficientes" do contador, com o rótulo cinza tracejado "Sem dados suficientes", que não é selo. O cartão diz o que os registros oficiais confirmam, o que falta e o que as checagens externas disseram. Por padrão, a lista mostra só as afirmações com selo. - **Por quê**: escondidas, essas afirmações pareciam não ter sido checadas, e o leitor não via que a falta de selo vem da regra de fonte, e não de omissão. O caso que levou à mudança foi o voto na Alerj em 2009 sobre a licença-maternidade: a aprovação está nos registros oficiais, mas o voto de cada deputado só aparece na imprensa. ## D-039 · Debate: perguntas sem resposta direta - **Status**: fechada antes da extração (pré-registro), em 19/10/2026. - **Decisão**: 1. **Unidade.** Cada pergunta direta feita por um candidato ao outro, ou por um mediador a um candidato, com a pergunta tirada literalmente da transcrição. Perguntas retóricas sem destinatário ou sem objeto identificável não entram. Uma fala com duas perguntas sobre objetos diferentes vira duas. 2. **Resposta considerada.** As falas do candidato perguntado dentro da mesma troca (resposta, tréplica ou o uso do banco de tempo logo em seguida), até a troca seguinte. 3. **Três classificações**, pelo conteúdo e não pela qualidade da resposta: - **Respondeu**: trata diretamente do objeto da pergunta, ainda que conteste a premissa. - **Respondeu em parte**: trata de parte do objeto, ou só de forma genérica, ou depois de mudar de assunto. - **Não respondeu**: não trata do objeto; muda de assunto, responde só com ataque ou com outra pergunta. 4. **Forma.** Cada item traz a pergunta e o trecho da resposta, ambos literais, e uma frase que diz o que foi e o que não foi respondido. A classificação não julga se a resposta é verdadeira; isso é a checagem (D-036). 5. **Mesma regra para os dois**, aplicada por um só agente numa leitura única da transcrição, com revisão de todos os "não respondeu". A contagem depende de quantas perguntas cada um recebeu e aparece com essa ressalva. - **Por quê**: desviar de uma pergunta é parte do que o eleitor quer saber de um debate, mas classificar respostas é subjetivo. Critério fixado antes, trechos literais e a mesma leitura para os dois tornam a classificação verificável por quem lê. ## D-040 · Debate: revisão dos selos pelo núcleo da afirmação - **Status**: fechada antes da revisão, em 19/10/2026. - **Decisão**: precisa a D-036, item 2, e o complemento, item 6. Na consolidação, a regra "na dúvida, o selo menos grave" foi aplicada também quando a dúvida era só sobre um detalhe da frase. A partir daqui: 1. **Núcleo.** Cada afirmação tem um núcleo: o fato que quem fala usa para sustentar o argumento (por exemplo, em "a criminalidade explodiu", que o crime cresceu muito no conjunto). O selo julga o núcleo. 2. **Mentira** quando os dados contradizem o núcleo, ainda que um detalhe secundário da frase tenha base. Um indicador isolado que vai na direção da frase não salva o núcleo, a menos que quem fala tenha citado esse indicador. 3. **Não é bem assim** quando o núcleo tem base, mas falta contexto que muda a leitura, ou quando só parte do núcleo se confirma. 4. **Na dúvida, o menos grave** vale só quando a prova sobre o núcleo é de fato ambígua: indireta, incompleta ou com duas leituras igualmente razoáveis da frase. 5. **Sem dados suficientes** é revisto com nova busca de fontes de nível 1 e 2; a regra de fontes da D-036 e do complemento não muda. 6. A revisão cobre todas as afirmações com "não é bem assim" e "sem dados suficientes" dos dois candidatos, com o mesmo critério, e cada mudança fica registrada com o motivo. - **Por quê**: o leitor apontou afirmações com o núcleo contradito pelos dados que ficaram com "não é bem assim". Precisar o critério e revisar tudo, dos dois lados, corrige o excesso de cautela sem escolher afirmações conforme quem as disse. ## D-039 · complemento da extração (19/10/2026) Regras usadas na leitura da transcrição, iguais para os dois: 6. Pedido de explicação no imperativo ("Explica…", "Me conta…") conta como pergunta. 7. A mesma pergunta repetida na mesma troca vira um item só, com as formulações juntas. 8. Contra-pergunta sobre o mesmo objeto conta como parte da resposta; sobre outro objeto, é desvio. 9. Negar o fato que a pergunta pressupõe conta como "respondeu". Contestação genérica ("é mentira", "fake news") que não se refere ao fato perguntado é resposta só com ataque e conta como "não respondeu" (item 3). *Corrigido em 19/10/2026: a primeira redação contava esse caso como "em parte", o que contrariava o item 3; mudaram p048 e p051.* 10. "Depois de mudar de assunto" só rebaixa para "em parte" quando houve ao menos uma fala inteira sobre outro assunto antes; preâmbulo curto na mesma fala não rebaixa. 11. Provocações com destinatário e objeto identificável entram, ainda que a resposta pareça estar na fala de quem pergunta. 13. **Duas classificações na página** (19/10/2026, a pedido do usuário): "respondeu" quando deu o que foi perguntado ou negou o fato pressuposto, ainda que depois de desviar; "não respondeu" quando a resposta foi genérica, ataque ou mudança de assunto sem dar o que foi perguntado. As 14 respostas "em parte" do confronto direto foram reclassificadas uma a uma, com o motivo na coluna `motivo_binaria` (a classificação anterior fica em `classificacao_original`), e a p041 foi separada em duas perguntas (se gastou 7 bilhões; quanto foi). Entre as respondidas, a coluna `desvio_antes` marca as que começaram com ataque ou mudança de assunto antes de chegar ao ponto. 12. **Na página, só o confronto direto** (19/10/2026, a pedido do usuário): a seção mostra apenas as perguntas que um candidato fez ao outro nos blocos de confronto direto. As 12 perguntas dos mediadores continuam classificadas em `eventos/debates/perguntas.csv`, com a mesma regra, fora da página. ## D-041 · Debate: afirmações sem relevância para a decisão de voto - **Status**: fechada em 19/10/2026, a pedido do usuário. - **Decisão**: saem da página e do contador, e ficam no CSV (coluna `relevancia`) e nas notas, as afirmações de qualquer selo, dos dois candidatos, que não dizem nada sobre governo, políticas públicas, propostas, conduta pública ou situação legal de quem disputa. Na prática: resultados da própria campanha, curiosidades sobre trajetória, conhecimento geral (data, população, voto secreto), fatos de atos de rua e fatos sobre o próprio debate. A lista, com o motivo de cada uma, está em `eventos/debates/consolidar.py` (IRRELEVANTES): 22 afirmações, 18 de Flávio e 4 de Lula. - **Item 2 (19/10/2026), perguntas e respostas**: a mesma regra vale para a seção de perguntas. Saem da página e do contador as provocações pessoais sem conteúdo sobre governo, políticas, propostas, conduta pública ou situação legal ("você acha que já ganhou?", "você conhece o Lulinha?", "o seu filho votou em você?"): 8 perguntas, 5 respondidas por Lula e 3 por Flávio, listadas em `scripts/exportar_debate.py` (PERGUNTAS_IRRELEVANTES) e nas notas. - **Por quê**: verdades triviais ("tive 56 milhões de votos", "hoje é Dia do Médico") inflam o contador sem informar o eleitor. A diferença no número de afirmações retiradas reflete o que cada um disse, com a mesma regra para os dois; o caso de fronteira mantido (a145, qualificação do nome citado para a Saúde) está nas notas. ## D-036 · segundo complemento: falas públicas fora do debate (19/10/2026) 12. **Registro da fala pública.** Para afirmações sobre o que alguém disse ("fulano disse", "fulano defende"), além do vídeo ou da íntegra publicada (item 8), valem como registro integral (nível "R"): publicações nas contas oficiais e verificadas da própria pessoa ou da campanha, inclusive quando reproduzidas por inteiro pela imprensa (post embutido ou transcrito por completo); pronunciamentos e notas taquigráficas do Senado e da Câmara; entrevistas com íntegra publicada. Reportagem que resume ou cita só um trecho continua não bastando. A regra vale para os dois candidatos, e as afirmações de atribuição de fala sem selo foram refeitas com ela. Rede social continua não sendo fonte de fatos (metodologia, seção 5.1); aqui ela é só o registro do que a própria pessoa disse. ## D-042 · Debate: análise retórica - **Status**: fechada antes da análise (pré-registro), em 19/10/2026. A pedido do usuário, a aba foi publicada como versão preliminar, com aviso, antes de terminar a revisão do item 4; a revisão foi aplicada no mesmo dia e o aviso saiu. - **Decisão**: 1. **O que é.** Uma terceira aba descreve como cada candidato argumentou no debate, com o catálogo das 38 estratégias de *A Arte de Ter Razão* (Schopenhauer), mapeadas para falácias modernas (skill `analise-retorica`). Julga a forma, não o mérito: não diz quem tem razão nem quem venceu, e não se mistura com a checagem de fatos. 2. **Material.** A transcrição inteira, só as falas dos dois candidatos. Mediadores ficam fora. 3. **Evidência.** Toda manobra tem trecho literal conferido por script na transcrição, a estratégia, a família, o efeito retórico (sem afirmar intenção) e o nível de confiança (alta, média, baixa). Também se registram os pontos de argumentação direta (respondeu à pergunta, trouxe dado verificável, reconheceu um ponto). 4. **Equilíbrio.** Um primeiro agente de IA percorre a transcrição em ordem; um segundo agente, rodando separado, revisa todos os achados procurando falsos positivos e manobras que faltaram, com a mesma atenção aos dois candidatos. 5. **Na página.** Indicadores por candidato (falas, manobras, manobras por fala, famílias, estratégias mais usadas, argumentação direta), gráfico por família e a lista das manobras de confiança alta, com trecho e explicação. As de confiança média e baixa ficam no CSV. Linguagem neutra: nomes do catálogo, sem "falácia" nem adjetivos sobre os candidatos. 6. **Ressalva visível.** Os números descrevem o comportamento argumentativo nesta transcrição e dependem de quanto cada um falou e do formato de cada bloco; não são nota de caráter nem resultado do debate. - **Por quê**: o leitor quer saber como cada um se comportou ao ser confrontado, além de se respondeu. Fixar o catálogo, a regra de evidência e a revisão independente antes da leitura torna a análise verificável e igual para os dois. ## D-043 · Debate: transparência sobre o uso de IA - **Status**: fechada em 19/10/2026, a pedido do usuário. - **Decisão**: a página do debate diz, em cada aba e numa nota geral, que a extração das afirmações, a verificação, a classificação das respostas e a análise retórica foram feitas por agentes de inteligência artificial (o modelo Claude, da Anthropic), com regras escritas antes, revisão por um segundo agente onde a decisão previa e revisão do responsável pelo projeto. Palavras como "analisador" ou "revisor", que sugerem uma pessoa, não são usadas para os agentes. - **Por quê**: o leitor precisa saber quem produziu o que lê para avaliar o grau de confiança. As fontes de cada cartão continuam sendo a forma de conferir. ## D-040 · complemento: atribuição de culpa ou mérito (19/10/2026) - **Status**: fechada em 19/10/2026, a pedido do usuário, depois da publicação. - **Decisão**: não muda a regra; diz como o item 1 da D-040 se aplica a um tipo de frase comum no debate. Quando quem fala usa um fato para atribuir a um governo a culpa ou o mérito por um resultado ("a dívida que esse governo te colocou"), a atribuição é o núcleo. Se os dados oficiais mostram de forma direta que o resultado veio de antes ou de outro governo, o selo é "mentira", ainda que outra parte da frase tenha base (item 2). Quando a atribuição tem base em parte, ou a frase admite uma leitura razoável em que ela tem base, continua "não é bem assim" (itens 3 e 4). - **Casos**: as 78 afirmações com "não é bem assim" na página foram relidas assim, dos dois candidatos. Mudou a a122 (Flávio: endividamento das famílias, que subiu de 39,0% para 49,1% da renda entre 2018 e 2022 e foi a 49,9% em julho de 2026). Os casos de fronteira mantidos, com o motivo, estão em [notas.md](../eventos/debates/notas.md), seção 4c. - **Por quê**: o usuário apontou que, no debate, a frase sobre as dívidas serve para culpar o governo Lula, e não para descrever o endividamento; o selo deve julgar essa culpa, que é o que a frase sustenta.